A União Europeia deixará de aceitar, em 3 de setembro, carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil. A Comissão Europeia retirou o país da lista de fornecedores considerados aptos a cumprir as regras do bloco sobre antimicrobianos na criação animal. Além da carne bovina, a medida alcança frango, pescado, tripas e mel — uma barreira comercial de alcance bem maior que o título mais visível da crise.123

O problema não é uma acusação de contaminação generalizada da produção brasileira. Bruxelas afirma que não recebeu garantias suficientes de que o país terá implementado, até a data-limite, as exigências do Regulamento Delegado 2023/905. Essas regras restringem antimicrobianos usados para promover crescimento ou elevar produtividade e procuram conter a resistência de bactérias aos medicamentos. Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a vender ao bloco.23

O Brasil proibiu em abril a importação, fabricação, venda e uso de substâncias como avoparcina e virginiamicina, mas a providência não convenceu a Comissão Europeia de que toda a cadeia exportadora estará adequada em setembro. O governo entregou documentação em 21 de maio e chegou a pedir transição até 2029. Entidades do setor sustentam que o sistema sanitário brasileiro é robusto e que a produção destinada à Europa já obedece a controles rígidos, argumento que ainda não produziu uma reversão formal.12

A estimativa de que as compras europeias de carne bovina só possam ser retomadas em cerca de dois anos é de um consultor ouvido pelo g1, não um prazo oficial de Bruxelas. Ela considera o tempo necessário para que animais submetidos desde agora aos novos protocolos cheguem ao abate e para que o país consiga demonstrar conformidade. O veto atinge um mercado menor em volume que a China, mas valioso: em 2025, as vendas brasileiras de carne bovina à União Europeia superaram 370 mil toneladas e US$ 1,8 bilhão. Até nova decisão europeia, a data concreta para o setor é 3 de setembro.13