Começou a valer nesta quinta-feira (3) o veto da União Europeia à entrada de proteínas animais brasileiras. O bloco retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, carne de aves, ovos, carne equina, produtos de aquicultura, mel e tripas — a carne suína ficou de fora. A medida foi formalizada pelo Regulamento de Execução 2026/1189, assinado em 4 de junho e publicado no Diário Oficial da UE no dia seguinte, que alterou a lista de terceiros países do Regulamento 2021/405.241

O motivo não é contaminação detectada, e sim falta de comprovação de regras sobre antimicrobianos. A UE proíbe antibióticos usados como promotores de crescimento e reserva certas classes exclusivamente à medicina humana, para conter bactérias resistentes. Um comitê de especialistas dos Estados-membros votou por unanimidade, em maio, pela exclusão do Brasil, e a Comissão Europeia avaliou que o país não demonstrou conformidade — o Brasil chegou a banir alguns antimicrobianos em abril, mas as garantias foram consideradas insuficientes.13

A conta do embargo: em 2025, foram cerca de 368 mil toneladas de produtos animais embarcadas para o bloco, algo em torno de US$ 1,8 bilhão. Em volume, a UE fica atrás da China e, no caso da carne bovina, também dos Estados Unidos — mas paga mais por tonelada do que a média dos demais compradores. O redirecionamento das vendas para Ásia e Oriente Médio, movimento esperado pelo setor, tende a ocorrer a preços menores.56

Há uma porta de saída, ao menos parcial. Uma auditoria da Comissão Europeia sobre os setores de aves e mel se encerra nesta sexta (4); se o relatório for favorável e os Estados-membros aprovarem, frango e ovos podem voltar ao mercado europeu em semanas. Para a carne bovina, o ciclo de produção mais longo torna a recertificação bem mais demorada. O timing é constrangedor para os dois lados: o veto se materializa poucos meses depois de o acordo UE-Mercosul entrar provisoriamente em vigor, em 1º de maio.234

Para o consumidor brasileiro, o efeito no preço da carne tende a ser limitado: o volume destinado à UE é pequeno diante da produção do maior exportador mundial de carne bovina, e a oferta extra no mercado interno deve ser transitória. O risco maior é reputacional — o mercado europeu funciona como certificado sanitário informal que outros compradores observam, e a permanência do Brasil na lista de países não conformes pode contaminar negociações fora do bloco.56