O Rio de Janeiro amanheceu nesta quinta (30) ainda contando os estragos do vendaval da véspera, quando as rajadas chegaram a 105 km/h na estação meteorológica do Galeão. No pico da crise, mais de 1,5 milhão de imóveis ficaram sem energia; na manhã seguinte, Light e Enel ainda somavam mais de 510 mil clientes no escuro, número que recuava devagar — perto do meio-dia, o g1 reportava 454 mil.124
A Light atribui o apagão à queda de 44 árvores sobre a rede, que derrubou de uma vez o fornecimento de 370 mil clientes; a Enel contava 142 mil imóveis sem luz na manhã desta quinta, boa parte na Costa Verde, onde árvores tombadas em Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba bloqueiam o próprio acesso das equipes de manutenção. No auge da demanda, o site da Light para registro de ocorrências chegou a sair do ar. O ONS informou ter normalizado as cargas do sistema às 17h35 de quarta.24
O balanço humano segue em aberto. Duas pessoas morreram no desabamento de um muro em Santa Teresa, na capital, e um pescador desapareceu no mar na região de Mambucaba, em Angra dos Reis. Nesta quinta, o UOL informou que um corpo foi encontrado durante as buscas pelo desaparecido. Os bombeiros resgataram 31 pessoas na quarta, e o estado registrou cinco desabamentos.23
Os transportes sentiram o golpe na quarta: os aeroportos Santos Dumont e Galeão tiveram operações afetadas, o metrô interrompeu trechos e os trens metropolitanos suspenderam a circulação em partes dos ramais de Japeri e Saracuruna. Nesta quinta, o gargalo é outro: a religação da rede elétrica.12
É o mesmo sistema de vento que derrubou estruturas em São Paulo e deixou mais de mil pessoas fora de casa no Rio Grande do Sul nos dias anteriores. No Rio, a leitura é direta: a rede elétrica volta a ser o elo frágil. A queda de árvores sobre a fiação aérea transforma um evento meteorológico de poucas horas em uma crise de abastecimento que se mede em dias — e a velocidade da religação será o critério pelo qual Light e Enel serão cobradas.124