A retração do comércio com os Estados Unidos já aparece tanto na receita brasileira de exportação quanto nas decisões das fábricas. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil vendeu US$ 24,1 bilhões ao mercado americano, 9,7% menos que no mesmo período de 2025. A diferença equivale a US$ 2,6 bilhões. Separadamente, uma pesquisa da Fiesp registra redução de pedidos, menor utilização das instalações industriais e investimentos adiados após o aumento das tarifas.12
O levantamento da Fiesp, divulgado pela CNN em 2 de setembro, ouviu 174 indústrias de transformação exportadoras. Cerca de 70% relataram perda de encomendas dos EUA; em 42,9%, o volume de pedidos caiu mais de 25%. Outros 31% suspenderam ou postergaram investimentos. Esses resultados descrevem as empresas consultadas em São Paulo e não devem ser tratados como uma estimativa para toda a indústria brasileira.2
A reação empresarial envolve repartir o custo: 28,6% das participantes reduziram margens, enquanto 26,2% mantiveram preços e transferiram o impacto aos compradores americanos. A redução do uso da capacidade instalada atingiu 41,4%. Na mesma pesquisa, 55,2% não haviam alterado o quadro de funcionários — dado que impede transformar automaticamente a queda de pedidos em um balanço de demissões.2
As barreiras variam conforme o produto. Segundo nota do Ministério do Desenvolvimento publicada em 24 de julho, duas medidas americanas daquele mês estabeleceram sobretaxas de 25% e 12,5% sobre parcelas das compras originárias do Brasil. A deterioração comercial, porém, antecede essas decisões: no primeiro semestre, as exportações aos EUA já haviam recuado 13%, com forte contribuição de petróleo e produtos primários de ferro ou aço. Portanto, as tarifas de julho não explicam sozinhas a perda acumulada no ano.3
Trocar de comprador tampouco é uma saída imediata. Na sondagem industrial, 57,1% não tinham previsão de prazo para substituir integralmente o mercado americano. A leitura econômica é que o ajuste já cobra um custo concreto antes de qualquer solução comercial: empresas absorvem despesas, operam com mais ociosidade e adiam expansão. A diversificação pode reduzir a exposição, mas os números disponíveis não autorizam anunciar que as vendas perdidas já foram compensadas.2