Donald Trump interrompeu a aplicação de um novo pacote de sanções e tarifas relacionado à Rússia antes que as medidas começassem a valer. A ordem executiva de sexta-feira, 16 de outubro, usa uma autorização da própria lei aprovada em setembro para dispensar sua aplicação por interesse nacional. A decisão retira uma pressão econômica adicional que o Congresso americano havia criado para atingir os recursos que sustentam a guerra contra a Ucrânia.12
O alcance comercial é amplo. O decreto descreve aumentos tarifários de 500% sobre mercadorias russas e de 100% sobre produtos dos cinco maiores importadores de petróleo e gás da Rússia, sob as condições previstas no texto. Também contempla países classificados entre os principais facilitadores da evasão de sanções petrolíferas. Mas a mesma ordem dispensa a cobrança dessas novas tarifas: os percentuais aparecem no documento, sem serem efetivamente aplicados.1
A suspensão alcança ainda novas sanções e restrições contra pessoas previstas na Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã, assinada por Trump em 18 de setembro. Há uma ressalva importante: o decreto preserva expressamente medidas anteriores adotadas por ordens executivas contra atividades do governo russo. Portanto, a decisão não elimina todo o regime americano de sanções contra Moscou.1
Segundo a Reuters, a isenção continuará até que Trump ou seus principais assessores considerem apropriado adotar outras medidas. O governo manterá o monitoramento das compras de energia russa e das atividades de evasão de sanções. China e Índia, grandes compradores de petróleo russo, estavam entre os países que haviam manifestado preocupação com a legislação e suas consequências comerciais.12
A justificativa formal é o interesse nacional dos Estados Unidos. Analistas ouvidos pela Reuters apontam que as novas punições poderiam agravar os preços do petróleo em um momento de energia cara. A consequência imediata, porém, é delimitada: Washington deixa de impor esse novo custo ao comércio ligado à Rússia. Isso reduz a pressão econômica adicional prevista na lei, sem demonstrar, por si só, queda nos combustíveis ou avanço nas negociações para encerrar a guerra.12