Donald Trump disse no sábado (26), na Casa Branca, que rejeitou o plano iraniano para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar os combates. Neste domingo (27), Teerã manteve a oferta na mesa: o chanceler Abbas Araghchi afirmou, de Nova York, que nenhuma recusa chegou pelos canais oficiais e que o país aguarda a resposta formal por meio dos mediadores do Catar.123
A proposta, apresentada durante a Assembleia Geral da ONU, prevê prazo de sete dias para liberar a passagem e instaurar um cessar-fogo. Em troca, os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio naval aos portos iranianos, liberariam a venda de petróleo do país e descongelariam ativos; depois viriam negociações sobre o programa nuclear. O desenho retoma o memorando de junho, cuja trégua ruiu em poucos dias.124
Trump argumenta que o Irã só busca acordo porque está perdendo a guerra e que os termos não são os que ele quer. Em entrevista por telefone ao Axios neste domingo, disse que retomar os bombardeios segue entre as opções. Do lado iraniano, o tom é duplo: Araghchi declarou que o país está pronto para a diplomacia e também para a volta da guerra, e o porta-voz do Exército, Mohammad Akraminia, afirmou que as Forças Armadas estão preparadas para novos ataques americanos.234
O conflito começou em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel, e já dura sete meses, com milhares de mortos. Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial, segue travado por um bloqueio duplo: o Irã restringe a travessia, e a Marinha americana cerca os portos iranianos. Trump disse que 29 navios foram conduzidos para fora do estreito sob escolta militar no sábado.123
O mercado reflete o impasse: o Brent fechou a semana em US$ 104 o barril, depois de tocar US$ 108 na quinta (24). Leitura do portal: a recusa, por ora, é verbal, e nenhum dos lados fechou a porta diplomática, mas nada muda no terreno. Para o Brasil, o efeito é indireto e conhecido: petróleo acima de US$ 100 pressiona combustíveis e fretes, e cada semana sem acordo prolonga essa conta. As eleições legislativas americanas, em novembro, são o próximo marco político no horizonte.24