Donald Trump assinou nesta segunda-feira (10) uma ordem executiva para remodelar novamente as recomendações de vacinação infantil dos Estados Unidos. O texto orienta as autoridades federais a distribuir as doses por mais consultas e a promover vacinas separadas contra sarampo, caxumba e rubéola no lugar da tríplice viral MMR. Essas versões individuais não estão disponíveis atualmente no mercado americano, de modo que a determinação depende de providências regulatórias e da indústria antes de chegar aos consultórios. A ordem também reforça a redução, de 17 para 11, do número de doenças contra as quais o governo recomenda vacinação universal na infância.12
O alcance imediato da medida, porém, permanece incerto. Uma tentativa anterior do Departamento de Saúde de restringir o calendário foi suspensa por decisão judicial, e a nova ordem não elimina essa disputa. O modelo defendido pelo governo divide as vacinas entre recomendações universais, indicações para grupos de risco e decisão compartilhada entre responsáveis e médicos. Imunizações contra gripe, hepatites A e B e rotavírus deixaram de integrar o núcleo recomendado a todas as crianças, embora continuem disponíveis e, segundo a política federal, devam permanecer cobertas sem coparticipação pelos programas públicos e planos privados alcançados pelas regras nacionais.13
Entidades médicas contestam tanto a base científica quanto o efeito prático da mudança. A Associação Médica Americana afirma que o calendário convencional foi construído com décadas de pesquisas e dados reais e alerta que espaçar aplicações sem justificativa clínica deixa crianças desprotegidas por mais tempo, além de aumentar a chance de abandono entre uma consulta e outra. A preocupação ganha peso porque as taxas de vacinação de alunos do jardim de infância vêm caindo nos EUA, enquanto as dispensas atingiram recorde no ano letivo de 2024–2025. A ordem não proíbe vacinas, mas troca uma orientação nacional simples por percursos distintos — uma mudança capaz de ampliar a confusão de famílias e profissionais justamente durante a retomada de doenças evitáveis, como o sarampo.14