Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (21) que os Estados Unidos permitirão a importação de até 300 mil toneladas de insumos para carne moída, durante 90 dias, sem a tarifa cobrada sobre volumes que ultrapassam a cota regular. A Casa Branca afirma ter obtido de exportadores estrangeiros o compromisso de fornecer o produto por um preço 25% inferior ao de mercado. O governo, porém, ainda não informou quais empresas ou países participarão do acordo.12

A mudança procura aliviar uma alta que já chegou ao balcão: em julho, a libra de carne moída custava em média US$ 6,89, avanço de 57% em cinco anos e de 9% em 12 meses. O rebanho americano encolheu após anos de seca, custos elevados e abate de matrizes, enquanto a demanda permaneceu firme. Trump pretende formalizar a ampliação da cota por ordem executiva nas próximas duas semanas; até lá, trata-se de uma diretriz anunciada, ainda sem regulamento operacional publicado.123

Também não está explicado como o desconto prometido chegará ao consumidor, pois exportadores não controlam o preço final definido por frigoríficos e varejistas. A medida aumenta a oferta de matéria-prima magra usada na fabricação de hambúrgueres, mas seu efeito sobre os preços dependerá da velocidade das compras, da origem da carne e do repasse ao longo da cadeia.13

Para o Brasil, grande fornecedor mundial, a abertura pode representar uma oportunidade comercial, mas não há confirmação de acesso à nova cota nem esclarecimento sobre a interação com as tarifas americanas específicas impostas ao produto brasileiro. Nos EUA, associações de pecuaristas reagiram contra a iniciativa: avaliam que a entrada acelerada de carne barata pode reduzir a remuneração do gado e desestimular justamente a recomposição do rebanho doméstico que o governo diz buscar.13