Belo Horizonte viveu dois extremos na tarde de domingo (30). Às 14h, a estação do Inmet na Pampulha marcou 35,4°C, maior temperatura de 2026 na capital e 0,6°C acima do recorde anterior, registrado em 1º de janeiro. Logo depois, a chuva atingiu parte da cidade com intensidade excepcional, derrubando 22 árvores em menos de duas horas, danificando barracas da Feira Hippie e provocando destelhamentos.12
A Região Oeste concentrou o episódio mais severo: foram 54,4 milímetros entre 14h e 15h, equivalentes a 513,2% da média climatológica de agosto, de 10,6 mm. Quase 72% dos 75,8 mm acumulados pela regional durante o mês inteiro caíram nesses 60 minutos. O volume mensal no Oeste chegou, assim, a 715,1% da média histórica.23
A distribuição foi radicalmente desigual. No mesmo intervalo, o Hipercentro recebeu 21 mm e a Região Noroeste, 10,8 mm; Centro-Sul, Norte, Pampulha e Venda Nova não registraram chuva. A Defesa Civil contabilizou ainda nove ocorrências de destelhamento na Região Leste. Os números ajudam a explicar por que o temporal causou estragos concentrados, embora não tenha atravessado a cidade com a mesma força.23
O contraste entre calor recorde e chuva fulminante é o dado novo mais relevante do balanço. Agosto concentrou sete das dez maiores temperaturas de BH em 2026, segundo registros municipais e do Inmet. A máxima de domingo superou os 34,8°C de janeiro e veio um dia depois de a cidade alcançar 34,3°C. Para o morador, a lição prática permanece: uma tempestade muito localizada pode tornar perigoso um deslocamento mesmo quando outro ponto da capital continua seco.123