O Ministério da Saúde começou nesta terça-feira (20) a distribuir nove medicamentos oncológicos a 20 centros de tratamento em 17 estados e no Distrito Federal, com Minas Gerais entre os contemplados. Os produtos cobrem 13 indicações e devem alcançar mais de 116 mil pacientes, segundo a pasta. A expansão para os demais serviços de oncologia do país está prevista até dezembro.13

A lista: trastuzumabe para câncer de estômago e da junção esofagogástrica; abemaciclibe para câncer de mama precoce ou avançado; acetato de lanreotida para tumores neuroendócrinos; pazopanibe e sunitinibe para carcinoma renal de células claras metastático, com o segundo também indicado para GIST avançado após falha do imatinibe; rituximabe para leucemia linfocítica crônica e linfomas folicular e difuso; abiraterona para câncer de próstata em diferentes estágios; gefitinibe em primeira linha para câncer de pulmão de células não pequenas; e TSH recombinante para câncer de tireoide com indicação de iodo radioativo.12

O ponto central não é novidade científica. Boa parte desses fármacos já constava das listas do SUS há anos, alguns há mais de uma década, sem chegar de fato ao paciente. O gefitinibe, por exemplo, estava previsto desde 2013. A mudança é operacional: o governo federal passa a comprar e distribuir diretamente os produtos mais caros, em vez de deixar a aquisição a cargo de cada hospital, que recebia um valor fixo por procedimento e muitas vezes não cobria o custo. Para os remédios de maior preço haverá autorização prévia com análise de dados clínicos, modelo parecido com o dos planos de saúde. O abemaciclibe, por exemplo, custa até R$ 366 mil por ano na rede privada.21

Os nove medicamentos custam R$ 155,4 milhões por ano. A meta é chegar a 23 novos fármacos até o fim do ano, o que o ministério calcula como ampliação de 35% das opções terapêuticas na rede pública, com impacto anual de R$ 4 bilhões. Dez produtos serão comprados pela União, nove entram em ata de preços para os estados e os quatro restantes terão repasses ampliados aos hospitais. A pasta reservou R$ 3,9 bilhões no orçamento de 2027, que ainda depende do Congresso. Os 14 medicamentos restantes não foram divulgados.123

O pacote inclui rastreamento de câncer colorretal: 400 mil testes imunoquímicos fecais para pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas, distribuídos a partir de novembro em unidades básicas de capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes, com encaminhamento para colonoscopia em caso positivo. O repasse para iodoterapia subiu de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões ao ano.13

Leitura editorial: o que decide se o anúncio vira acesso real é a logística e o funcionamento da autorização prévia, não a lista. O ministério não detalhou qual centro de cada estado recebe o primeiro lote nem o caminho que o paciente deve percorrer; a orientação prática é consultar a equipe do serviço onde o tratamento já ocorre. Há ainda uma divergência de contagem: a nota oficial fala em 20 centros, e a Folhapress, em 21.321