A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda-feira, 2 de novembro, a tentativa do governo Donald Trump de obrigar a Califórnia a separar milhares de votos enviados pelo correio. O pedido atingia cerca de 20 mil eleitores que a administração federal suspeita não serem cidadãos americanos. A rejeição ocorreu na véspera do último dia de votação das eleições legislativas, que definirão o controle do Congresso.12

O efeito imediato é manter a recusa judicial à segregação dessas cédulas. O governo pretendia que os responsáveis pela eleição as colocassem à parte e deixassem de contá-las. A suspeita apresentada pela administração não equivale à comprovação de voto irregular: segundo a Procuradoria-Geral da Califórnia, o próprio governo admitiu que sua relação poderia incluir cidadãos americanos.13

A disputa já havia passado pela primeira instância federal. Em 28 de outubro, o juiz rejeitou a medida emergencial solicitada por Washington. A Califórnia sustentou que faltavam fundamento jurídico e dados suficientes para avaliar a lista, além de advertir que a exigência contrariaria leis eleitorais e alteraria os procedimentos durante uma eleição em andamento. Conforme o comunicado da procuradoria estadual, o tribunal acolheu esses argumentos.3

O tamanho da lista também mudou ao longo da ofensiva federal. Em julho, a administração havia alegado a existência de mais de 190 mil não cidadãos nos registros eleitorais californianos. Antes de apresentar a ação, reduziu esse universo para aproximadamente 20 mil pessoas. Esse recuo ajuda a dimensionar a diferença entre uma suspeita produzida pelo governo e uma verificação individual de elegibilidade. Para os eleitores envolvidos, a consequência concreta da sequência de decisões é preservar o processamento dos votos contra a tentativa de exclusão emergencial.13