A Rússia voltou a atacar Kiev com drones e mísseis na madrugada desta terça-feira (8), depois da pausa associada à visita de negociadores americanos. Autoridades ucranianas informaram duas mortes na capital. Na Crimeia ocupada, uma autoridade instalada por Moscou atribuiu a um ataque ucraniano outras duas mortes, segundo a Associated Press. Os episódios ocorreram após um fim de semana de contatos diplomáticos sem avanço decisivo para interromper os combates.1

Em Kiev, o impacto alcançou prédios residenciais, uma escola, depósitos e veículos. Repórteres do Kyiv Independent ouviram explosões por volta das 3h30 locais e acompanharam incêndios que espalharam fumaça pela cidade. Segundo o serviço de emergência ucraniano, duas pessoas foram retiradas de um edifício de 16 andares atingido, e outras dez foram resgatadas de um prédio de cinco andares.2

Os balanços de feridos ainda divergiam nas primeiras horas: Kyiv Independent e Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade registravam dez, enquanto a Associated Press já relatava pelo menos 16. O número deve ser tratado como provisório. Na região ao redor da capital, autoridades também relataram danos a casas, empresas e instalações produtivas, além de uma pessoa ferida em Bila Tserkva.123

O Ministério da Defesa russo confirmou uma ofensiva de grande porte contra Kiev e arredores, mas afirmou ter mirado instalações de defesa e logística militar. Essa é a versão de Moscou; a cobertura no terreno e os relatos dos serviços de emergência documentam também destruição em imóveis civis. As operações de resgate continuavam enquanto novos alertas de drones eram emitidos.32

Steve Witkoff e Jared Kushner haviam se reunido com Vladimir Putin em Moscou e, depois, com Volodymyr Zelensky em Kiev. A interrupção temporária dos ataques às capitais não constituía um cessar-fogo geral. A retomada dos bombardeios mostra o limite concreto daquela pausa: ela permitiu a passagem dos enviados, mas não garantiu proteção duradoura aos moradores nem suspendeu a guerra.31