O Grupo SHC, responsável pela operação da JAC Motors no Brasil e comandado por Sergio Habib, voltou à Justiça para renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas. O pedido apresentado em outubro reúne 44 empresas e chega apenas 17 meses depois do encerramento da recuperação judicial anterior, em maio de 2025. A solicitação envolve o representante brasileiro da marca chinesa; não é um pedido de recuperação da fabricante na China.12

Há um obstáculo antes mesmo da análise da reestruturação. Segundo reportagem da Folha publicada em 10 de outubro, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira deu 15 dias para o grupo demonstrar que seu principal estabelecimento está em São Paulo. As 44 sociedades têm sede no Rio de Janeiro, e documentos apresentados no processo apontam a cidade como local de decisões empresariais. Sem comprovação suficiente, o caso poderá ser transferido para a Justiça fluminense.2

A magistrada adiou tanto a avaliação dos pedidos urgentes quanto a decisão sobre o processamento da recuperação. Portanto, apresentar a solicitação não significa que o grupo já obteve a suspensão das cobranças prevista nessa etapa. O SHC também quer reunir os ativos e as dívidas das 44 empresas em um único plano de pagamento, pretensão que permanece pendente. Procurados pela Folha, o grupo, Habib e seus advogados não haviam respondido até a publicação.2

O retorno aos tribunais acompanha uma perda expressiva de vendas. Dados da Fenabrave reproduzidos pela Exame mostram 988 emplacamentos de automóveis e comerciais leves da JAC em 2025, queda de 51,1% diante de 2024. A primeira recuperação começou em 2018 e teve o plano homologado em setembro de 2019. A nova tentativa de renegociação mostra que o encerramento daquele processo não bastou para estabilizar as finanças da operação brasileira.13