O Brasil melhorou em 71% dos 48 indicadores sociais e econômicos acompanhados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades, segundo o relatório 2026 divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, com dados apurados pelo Dieese. Outros 13% dos indicadores ficaram estáveis e 16% pioraram. O levantamento cobre emprego, renda, educação, saúde, segurança alimentar, moradia e meio ambiente, na maior parte comparando 2024 e 2025.134

O motor da melhora foi o mercado de trabalho: a taxa de desocupação caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, e o rendimento médio real das famílias subiu 5,3%, para R$ 3.376. A parcela da população com renda de até meio salário mínimo recuou de 25,4% para 24,7% — ainda 52,4 milhões de pessoas —, e a insegurança alimentar grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. No meio ambiente, o desmatamento recuou 20,6% em 2025 e as emissões de gases de efeito estufa caíram 16,7% em 2024.234

A exceção mais pesada é justamente a distribuição: a concentração de renda voltou a aumentar em 2025, e o 1% mais rico da população ganha 31,5 vezes mais que a metade mais pobre. Também pioraram a desigualdade salarial entre homens e mulheres, a mortalidade materna, a cobertura de saneamento básico na Região Norte, o peso do aluguel na renda das famílias, o risco geológico em áreas vulneráveis e a sobrerrepresentação da população negra no sistema prisional.234

Os recortes de raça e gênero mostram quem ficou para trás mesmo no ciclo de alta: mulheres negras registram a maior taxa de desemprego do país (8,5%) e o menor crescimento salarial, com renda média de R$ 2.184 — o equivalente a 42% do que recebem homens não negros.24

A leitura que o próprio relatório sugere: emprego aquecido e transferências de renda elevaram o piso, mas não mexeram no topo — o país fica menos pobre sem ficar menos desigual. É um diagnóstico que tende a alimentar a discussão sobre tributação de altas rendas e sobre o desenho das políticas sociais nos próximos anos.12