Um relatório da Defensoria Pública do Rio e do Projeto Mirante, da Universidade Federal Fluminense, aponta indícios de tortura, ameaças e agressões contra moradores durante a Operação Contenção. Realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, a ação deixou 122 mortos. O documento acrescenta registros de violência policial à apuração de uma operação cujas circunstâncias continuam sob investigação.12

A equipe examinou mais de 10 mil vídeos vinculados a câmeras de 529 policiais militares. Segundo a análise, as gravações mostram agressões físicas, choques elétricos e uso de gás contra moradores, incluindo mulheres, crianças e trabalhadores. Também foram identificadas câmeras retiradas dos uniformes ou com lentes obstruídas. Entre os 50 agentes do Bope que mais dispararam, apenas oito portavam equipamentos. Nenhuma das mídias analisadas esclarece as circunstâncias das 122 mortes.1

Há consequências judiciais além das conclusões do relatório. Em balanço atualizado em 28 de outubro de 2026, o Ministério Público estadual informou ter apresentado 12 denúncias contra 28 policiais militares, todas recebidas pela Justiça. Os processos envolvem acusações como roubo, furto, violação de domicílio, constrangimento ilegal e descumprimento de ordens sobre câmeras corporais. O recebimento das denúncias abre a fase processual; não equivale a condenação.2

Para investigar as mortes, o Ministério Público reúne mais de quatro mil horas de gravações, 122 laudos médico-legais e depoimentos de agentes e familiares. A instituição também identificou baixa utilização das câmeras pela Polícia Civil: dos 685 participantes da operação, somente 62 usaram efetivamente os dispositivos, prejudicando a documentação das ações.2

Na esfera civil, a Defensoria pediu à Justiça R$ 50 milhões em reparação coletiva para os moradores atingidos. A proposta destina os recursos a obras em serviços públicos e atendimento psicossocial. O relatório integra a fundamentação da ação e foi encaminhado ao Ministério Público. Trata-se de um pedido judicial, ainda sem indenização concedida nas fontes consultadas.3