A Praça da Criança — oficialmente Praça Arquiteto Ney Werneck, no Belvedere — deve passar por uma nova rodada de obras, orçada em R$ 800 mil e financiada pelas incorporadoras Pentagna Inc e Urb3 em parceria com lojistas do Pátio Belvedere 2 e 3, o complexo comercial instalado em frente à praça. O pacote prevê renovação completa do paisagismo, implantação de sistema de irrigação e ampliação do parquinho, com troca do piso emborrachado danificado, balanços adicionais, realocação do tanque de areia e instalação de aparelhos de ginástica em inox. À prefeitura caberia a parte menos glamourosa: recuperar a calçada deteriorada do entorno.1

Nada disso, porém, tem data para começar. O projeto está em análise na Secretaria Municipal de Política Urbana, que identificou pontos a compatibilizar entre a proposta privada, o projeto municipal de requalificação de calçadas e alterações viárias previstas para a região. Uma reunião entre os órgãos envolvidos deve alinhar as versões antes de qualquer licença. Cronograma e prazo de execução não foram divulgados.1

A intenção é anterior ao anúncio: em maio de 2025, o Diário do Comércio já registrava o plano da Pentagna de revitalizar a praça, apresentada pelo próprio grupo como uma extensão do complexo comercial e um espaço de lazer e convivência para o bairro. A relação entre praça e empreendimento vem de antes ainda. Adotada por meio de convênio entre a Associação de Moradores do Belvedere, a prefeitura e as duas incorporadoras, a praça teve o parquinho reformado pela primeira vez em obras iniciadas no fim de outubro de 2022 e entregues em 4 de fevereiro de 2023, com manutenção de doze meses a cargo das empresas.23

O arranjo segue o figurino do Adoro BH, programa municipal regulado pelo Decreto 17.786/2021 que permite a cidadãos, empresas e ONGs adotar espaços públicos custeando as intervenções, com direito a placas publicitárias proporcionais à área — à época da primeira entrega, eram 368 espaços adotados na cidade, 179 deles praças. No Belvedere, o modelo funcionou: a praça ganhou playground acessível e jardins sem custo direto ao contribuinte. O outro lado é que a principal área infantil do bairro passa a depender do interesse comercial da vitrine em frente, e o teste real desta segunda fase será a capacidade da PBH de amarrar a proposta privada às mudanças viárias que já se acumulam na região, em vez de aprovar cada projeto isoladamente.13