O PT oficializou neste sábado, 25 de julho, Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo. A convenção em Campinas também consolidou Márcio França, do PSB, como vice e as candidaturas de Simone Tebet, do PSB, e Marina Silva, da Rede, às duas vagas do estado no Senado. Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin participaram do ato, sinal de que a disputa paulista integra diretamente a estratégia nacional do grupo governista.12

A escolha de Campinas foi política, embora o partido também tenha alegado razões logísticas para abandonar o plano inicial de realizar a convenção em Ribeirão Preto. É a primeira convenção estadual do PT para um cargo majoritário feita no interior paulista. A região representa o principal obstáculo eleitoral de Haddad: em 2022, Tarcísio de Freitas venceu em 566 municípios, contra 78 do petista, e terminou o segundo turno com 55,27% dos votos válidos, ante 44,73%.23

A desvantagem continua mensurável. Pesquisa Datafolha divulgada em julho colocou Tarcísio com 46% e Haddad com 30% no primeiro turno estadual. No interior, que reúne 53% do eleitorado paulista, o placar era de 49% a 26%; na capital e na região metropolitana, a distância caía para 43% a 35%. A campanha petista passou a enfatizar segurança pública, educação e críticas à privatização da Sabesp, além de ampliar agendas com empresários e representantes do agronegócio fora da Grande São Paulo.34

São Paulo é mais que uma eleição estadual. Como maior colégio eleitoral do país, o estado pode reforçar ou limitar a candidatura de Lula à reeleição. Haddad precisa simultaneamente disputar o Palácio dos Bandeirantes e construir um palanque presidencial capaz de conter a vantagem da direita no interior. A convenção formaliza uma chapa ampla e conhecida; não elimina, contudo, a dificuldade central indicada pelas urnas de 2022 e pelas pesquisas de 2026: transformar presença política fora da capital em votos suficientes para equilibrar a disputa.124