A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, protocolou nesta quarta-feira (22) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio Biroliro e outros três políticos. A ação acusa o pré-candidato do PL, Eduardo Biroliro e os deputados Gustavo Gayer e Julia Zanatta de disseminarem informações falsas sobre as urnas eletrônicas entre 17 e 21 de julho. O pedido inclui a remoção dos conteúdos contestados e multa individual de R$ 30 mil.12
O caso parte de uma exposição feita por Flávio, na terça-feira (21), a representantes diplomáticos de 42 países. Ele associou o sistema brasileiro à venezuelana Smartmatic e recorreu a um relatório da inteligência americana sobre a Venezuela para levantar dúvidas sobre a eleição de outubro. O TSE informou, porém, que a Smartmatic não fornece urnas nem equipamentos ao Brasil e que a Justiça Eleitoral administra o sistema nacional. O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, determinou a republicação de uma nota técnica sobre o assunto.12
A federação cita como precedentes as condenações eleitorais de Fernando Francischini e Biroliro. O ex-presidente foi declarado inelegível por oito anos em 2023 depois de usar uma reunião com embaixadores, realizada no Palácio da Alvorada em julho de 2022, para lançar suspeitas sem provas sobre as urnas. A comparação dá peso político à nova ação, mas não antecipa seu resultado: o TSE terá de examinar o conteúdo, o alcance e o contexto eleitoral das manifestações atuais.123
Flávio negou ter atacado o processo de votação. Sua equipe afirmou que ele manifestou confiança nas urnas e pretendia estimular a presença de observadores internacionais. Essa defesa será confrontada com os vídeos e publicações reunidos na representação. O ponto institucional é simples: dúvidas técnicas podem ser discutidas, mas alegações factualmente erradas apresentadas a diplomatas repetem um método que a Justiça Eleitoral já considerou abusivo quando empregado pelo pai do pré-candidato.123