O Brasil vai ganhar seu primeiro centro de protonterapia, a forma mais precisa de radioterapia contra o câncer disponível hoje — mas o primeiro paciente só deve ser atendido até o início de 2030. O projeto é da Fundação Educacional Severino Sombra (FUSVE), mantenedora do Hospital Mário Kroeff e da Universidade de Vassouras, e será erguido em um terreno de 15 mil metros quadrados na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com investimento estimado em mais de R$ 400 milhões.123

A protonterapia substitui os fótons da radioterapia convencional por feixes de prótons, que liberam a maior parte da energia diretamente no tumor e reduzem a exposição dos tecidos saudáveis ao redor — vantagem relevante em tumores pediátricos e em regiões delicadas do corpo. O equipamento contratado é o Proteus ONE, da belga IBA (Ion Beam Applications), líder global do setor, e o centro nasce em articulação com o INCA; o nome homenageia Mário Kroeff, fundador do instituto. Segundo a FUSVE, apenas cerca de oito países oferecem a técnica em larga escala atualmente.23

A ressalva está no acesso: como destaca a chamada do g1, o paciente do SUS ainda vai esperar anos. Além do cronograma da obra, que prevê os primeiros atendimentos apenas até o início de 2030, não há definição pública sobre a incorporação da técnica à rede pública. A parceria com o INCA sinaliza uma ponte com o sistema público, mas o compromisso divulgado até aqui é de rigor técnico-científico e conformidade regulatória — não de vagas ou financiamento para pacientes do SUS.123

O anúncio coloca o Brasil no mapa de uma tecnologia que a oncologia mundial persegue há décadas, e o faz por via filantrópica: a FUSVE, que completa 60 anos em 2026 e realizou 70 mil procedimentos no Mário Kroeff em 2025, banca um projeto que o poder público nunca tirou do papel. A leitura sóbria é que, entre o terreno comprado e o benefício ao paciente comum, ainda há quatro anos de obra e um debate inteiro de financiamento público pela frente.23