O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou em entrevista ao New York Times publicada neste sábado, 18 de julho, que continua avaliando a possibilidade de ordenar a prisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, caso ele venha à cidade em setembro para a Assembleia Geral da ONU. Segundo o prefeito, há uma conversa ativa em curso com o departamento jurídico municipal para entender se o cargo lhe dá autoridade de mandar a polícia de Nova York deter um chefe de governo estrangeiro.12
A base invocada por Mamdani são os mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional em 2024, que acusam Netanyahu de crimes de guerra e crimes contra a humanidade nas operações israelenses em Gaza. O prefeito classificou o premiê como criminoso de guerra cujo lugar seria em Haia, mas reconheceu limites: disse que agirá apenas dentro das leis existentes e que não pretende criar regras próprias para viabilizar a prisão.13
Os obstáculos jurídicos são substanciais. Os Estados Unidos não reconhecem a jurisdição do TPI, a legislação federal proíbe que governos locais cooperem com o tribunal e uma lei específica veda a detenção ou obstrução de autoridades estrangeiras, incluindo chefes de Estado. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, já havia dito que o prefeito não tem essa competência, e juristas consultados pela imprensa americana consideram a ameaça sem fundamento legal. Do lado israelense, o embaixador na ONU, Danny Danon, reagiu dizendo que quem deveria ser preso é o próprio Mamdani, a quem acusou de hostilizar Israel em vez de governar a cidade.123
A leitura editorial: a chance de uma prisão efetiva é próxima de zero, e o próprio Mamdani parece saber disso ao condicionar tudo ao que a lei permite. O gesto vale pelo que sinaliza — o prefeito da maior cidade americana reafirmando, em plena guerra entre Estados Unidos e Irã, uma promessa de campanha que constrange Washington e Israel antes mesmo de setembro. O custo prático é baixo; o ruído diplomático, garantido.12