Seis mortes de bebês atendidos no Hospital e Maternidade Salvalus, da rede Hapvida, em São Paulo, passaram a ser objeto de inquérito da Polícia Civil. Os óbitos ocorreram ao longo de 2026 e foram comunicados às autoridades em 21 de outubro. A investigação, divulgada nesta sexta-feira (23), é conduzida pelo 8º Distrito Policial, no Brás.12

A apuração inclui a análise integral dos prontuários e depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o objetivo é esclarecer as causas das mortes. Familiares questionam a assistência prestada e levantam a hipótese de infecções adquiridas durante a internação. Essa suspeita ainda depende de comprovação.12

O UOL consultou boletins de ocorrência e certidões de óbito que descrevem sepse, pneumonia, choque e outras complicações. Esses registros documentam condições médicas, mas não demonstram, isoladamente, onde uma infecção foi contraída ou se houve falha no atendimento. A distinção é central: a existência dos óbitos motivou uma investigação, sem estabelecer antecipadamente responsabilidade do hospital.1

O alcance dos relatos das famílias é maior que o número oficialmente investigado. Ao UOL, a representante jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que acompanha três mães, afirmou ter conhecimento de pelo menos 36 casos nos últimos seis meses. Esse total é uma alegação da representante e não corresponde ao conjunto de seis mortes confirmado pela polícia como objeto do inquérito.1

Em resposta, o Salvalus afirmou que atende crianças com condições graves, incluindo prematuridade extrema, malformações e síndromes genéticas. Disse ter atendido mais de mil crianças neste ano e sustentou que suas avaliações encontraram históricos clínicos distintos, sem identificar uma origem infecciosa comum. A instituição declarou ainda não ter recebido notificação formal sobre os procedimentos mencionados e se colocou à disposição das autoridades. A conclusão sobre eventual relação entre os casos permanece dependente da investigação.12