A Polícia Militar apresentou à Associação dos Amigos do Bairro Belvedere (AABB) um plano de ação para reforçar o policiamento no bairro, segundo publicação do Jornal Belvedere desta terça-feira (25). Os oficiais responsáveis pela área, identificados como capitão Dias e tenente Carolina, detalharam à diretoria da entidade uma estratégia baseada em rondas ostensivas em horários variados, viaturas posicionadas em pontos considerados sensíveis e cobertura ampliada das vias com maior registro de ocorrências.1

O foco declarado vai além do patrimônio. A corporação cita furtos e delitos em geral, mas também infrações de trânsito recorrentes, com destaque para os 'rolezinhos' de quintas-feiras à noite e para a prática de wheeling, as manobras de empinar motos que incomodam moradores. Entre as respostas listadas estão a intensificação de abordagens e a instalação de tachões e faixas elevadas em pontos usados para essas manobras, medida que depende da prefeitura, já que a PM não executa obras viárias.1

O plano chega três semanas depois de uma audiência da Comissão de Administração Pública e Segurança Pública da Câmara Municipal de Belo Horizonte, realizada em 5 de agosto a pedido da vereadora Janaina Cardoso (União). Na ocasião, o major Thiago Emanoel, subcomandante da unidade da PM que atende a região, afirmou que os furtos a residências no Belvedere caíram quase 70% em 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, mas que parte das ocorrências migrou para os estabelecimentos comerciais, que se multiplicaram no bairro. O delegado Marlon Pacheco, da 5ª Delegacia Regional Centro-Sul, disse que nove em cada dez investigações de furto e roubo na área levam a pessoas com mais de vinte passagens pela polícia.2

Na mesma audiência, a vereadora informou que o Estado deve destinar duas motocicletas para o policiamento do bairro, com recursos de emendas parlamentares já negociadas, e a comissão decidiu oficiar deputados pedindo mais verba. Também foram discutidas a ampliação do videomonitoramento com reconhecimento facial e o uso de drones, hoje dois em operação na região. O representante da associação de moradores, Olinto D'Ávila Neto, relatou a sensação de insegurança que motivou o encontro.2

O que está no papel, portanto, é um rearranjo do efetivo existente, não um aumento de policiais. Nem o jornal nem o registro da Câmara informam quantos militares ou viaturas passam a cobrir o Belvedere, tampouco prazo de início ou métricas para avaliar o resultado. A leitura editorial é que a PM responde à pressão organizada de uma associação de bairro influente com aquilo que controla de imediato, a distribuição das rondas, enquanto as promessas mais concretas, motos, câmeras e obras viárias, dependem de outros atores e de orçamento ainda não liberado.12