Um voo da Flydubai que ia de Dubai para Tel Aviv terminou em pouso de emergência em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, na manhã desta quarta-feira (30), depois de um ataque a faca dentro da cabine de comando. O FZ1073, um Boeing 737 MAX 8, decolou às 7h05 no horário local com 174 passageiros, 27 deles crianças, em sua grande maioria israelenses. Ninguém morreu; os dois pilotos ficaram feridos e foram hospitalizados.1234
O que se sabe vem sobretudo do governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que um dos pilotos esfaqueou o outro e, ao que tudo indica, tentou derrubar a aeronave. Pelo relato dele, um passageiro e um tripulante invadiram a cabine e dominaram o agressor, enquanto outros pilotos que viajavam a bordo assumiram os comandos e estabilizaram o avião. Autoridades israelenses apontam o copiloto, que seria de nacionalidade omanense, como autor do ataque, mas a identificação ainda não foi confirmada oficialmente.123
Os dados de rastreamento dão a dimensão do susto. O avião emitiu o código 7700, de emergência geral, e em seguida o 7500, reservado a interferência ilícita, quando passava pelo espaço aéreo da Jordânia. A altitude despencou de cerca de 33 mil pés para algo entre 14 mil e 17 mil pés, uma perda de 5 mil a 6 mil metros, em um intervalo que as fontes ainda medem de formas diferentes. Israel chegou a acionar caças diante da suspeita de sequestro, e o pouso em Tabuk ocorreu por volta das 9h50 no horário israelense.134
O suspeito foi preso e está sendo interrogado pelas autoridades sauditas. O aparato de segurança de Israel avalia o episódio como ato terrorista e apura eventual ligação com o Irã, mas até agora não há evidência confirmada de apoio de um Estado. Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, convocaram uma reunião de segurança de urgência. A Flydubai confirmou um confronto na cabine, disse que razões e motivação permanecem desconhecidas e pediu que se evite especulação. A ministra dos Transportes, Miri Regev, pediu a suspensão dos voos da companhia.123
Leitura editorial: o caso expõe o ponto cego mais incômodo da segurança aérea, o de quem já está dentro da cabine. Inspeção de passageiros e porta reforçada nada podem contra um tripulante com acesso legítimo aos comandos. Se houve atentado planejado ou ato individual é pergunta que só a investigação, hoje em mãos sauditas, pode responder; por ora, a classificação de terrorismo é uma avaliação israelense, não uma conclusão. O efeito prático imediato recai sobre a operação da Flydubai em Israel, que passa a depender da resposta ao pedido de suspensão.123