A economia brasileira perdeu fôlego no meio do ano. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça (1º) — menos da metade do ritmo de 1,1% registrado entre janeiro e março. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 2%, e o país produziu R$ 3,4 trilhões entre abril e junho.123

O resultado teria sido bem mais magro sem o campo. A agropecuária avançou 2,8% no trimestre e 6,8% em um ano, puxada por safras maiores de soja (alta de 5,3%) e café (15,1%) e pelo desempenho da pecuária. Os outros dois grandes setores ficaram praticamente parados na margem: serviços cresceram 0,2% e a indústria, 0,1%, com a indústria de transformação encolhendo 0,4% no período.123

Do lado da demanda, o sinal de alerta é mais nítido. O consumo das famílias — principal motor da economia — caiu 0,4% ante o primeiro trimestre, refletindo o aperto de juros elevados, endividamento e crédito caro. O consumo do governo subiu 0,4% e os investimentos avançaram 1,2%, enquanto as exportações recuaram 0,8% e as importações cresceram 1,8%.231

No acumulado em quatro trimestres, o crescimento é de 1,9% — número próximo do que o mercado espera para o ano fechado: a mediana do boletim Focus aponta 1,92% para 2026, o Banco Central trabalha com 2% e o Ministério da Fazenda, mais otimista, projeta 2,3%. A leitura geral dos analistas é de que a transmissão dos juros altos segue comprimindo a demanda doméstica, e a desaceleração deve continuar no segundo semestre.1

Houve também um consolo estatístico, destacado pela imprensa: levantamento da Austin Rating com dados de FMI, OCDE, Banco Mundial e IBGE coloca o Brasil como o quinto maior crescimento trimestral entre as economias que já divulgaram resultados do período, atrás de Irlanda, Indonésia, Angola e Malásia — uma posição acima do sexto lugar do primeiro trimestre. Vale a ressalva de sempre: o ranking compara ritmos trimestrais isolados, sensíveis a safras e fatores pontuais, e diz pouco sobre a tendência de cada economia.4