A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Sem Refino, cumprindo 16 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF no Rio de Janeiro. Um dos endereços alvo está ligado a Cláudio Castro, que governou o estado até renunciar em março de 2026. A ação apura fraude na concessão de licenças ambientais para a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, com autorizações de funcionamento que teriam ignorado pareceres técnicos contrários.12
O inquérito também investiga suposto esquema de propina que teria envolvido servidores da Secretaria de Fazenda do estado, da Procuradoria-Geral do Estado, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e integrantes do Tribunal de Justiça do Rio, todos apontados como parte da engrenagem que teria viabilizado o funcionamento irregular da refinaria. Os crimes sob apuração incluem gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas e manipulação de mercado.2
A primeira fase da operação, em 15 de maio, já havia mirado Castro e o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, com 17 mandados de busca, afastamento de sete servidores públicos e bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos. Magro, apontado pela PF como o maior sonegador fiscal do país, teve prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes e está foragido em Miami, incluído em lista de procurados da Interpol.1
Castro deixou o governo do Rio em 23 de março para concorrer ao Senado, mas no mesmo mês o TSE o declarou inelegível por oito anos por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022, decisão mantida pela corte em junho. A investigação sobre a Refit é distinta do processo eleitoral e mira diretamente o uso da máquina estadual para beneficiar o grupo empresarial de Magro; na fase anterior, a defesa de Castro alegou que os procedimentos seguiram critérios técnicos e que a gestão chegou a recuperar cerca de R$ 1 bilhão em pagamentos da refinaria.12