A Polícia Federal investiga um possível desvio de mais de R$ 308 milhões em um acordo celebrado pelo governo de Mato Grosso para encerrar uma disputa tributária com a Oi. A apuração alcança o ex-governador Mauro Mendes e examina o caminho percorrido pelo dinheiro público depois do pagamento, sem que a existência do inquérito represente comprovação das acusações. O caso tem relevância além da disputa política local: envolve uma transação de alto valor feita pelo estado, suspeitas sobre fundos de investimento e agentes que ocupavam posições centrais no governo mato-grossense.12
A controvérsia começou com uma cobrança de ICMS contra a Oi, que chegou a R$ 583 milhões e transitou em julgado em 2018. Após uma decisão posterior do STF abrir espaço para contestação da cobrança, o crédito litigioso foi adquirido por um escritório por cerca de R$ 80 milhões. Mato Grosso firmou o acordo em 10 de abril de 2024 e pagou R$ 308 milhões em oito parcelas. Metade foi direcionada ao fundo Lotte Word e metade ao Royal Capital; documentos examinados pelo UOL indicaram que os recursos depois circularam por outros fundos relacionados a empresas do pai do então chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, e do filho de Mendes.23
As suspeitas já haviam sido levadas à PF, à Procuradoria-Geral da República, à CVM e a outros órgãos de controle pelo ex-governador Pedro Taques. Em audiência no Senado em 25 de março de 2026, Taques descreveu o repasse de R$ 154 milhões a cada um dos dois fundos, mas falou na condição de denunciante e adversário político de Mendes. O governo estadual sustenta que o acordo foi legal, homologado judicialmente e vantajoso, pois teria evitado uma dívida maior. Mendes também afirma que operações posteriores ao pagamento ocorreram na esfera privada; Fábio Garcia e os demais citados negam participação em irregularidades. Caberá à investigação federal separar essas versões e verificar se houve crime, beneficiários indevidos ou apenas transações privadas posteriores a um acordo válido.1234