A investigação sobre as operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) chegou nesta quarta-feira, 28 de outubro, ao indiciamento de 15 pessoas. Entre elas estão Daniel Vorcaro, fundador do Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um relatório parcial que atribui aos investigados participação em fraudes bilionárias contra o sistema financeiro.12
O documento tem mais de 700 páginas, mas não encerra a apuração. A PF pediu ao ministro André Mendonça, relator do caso, outros 60 dias para concluir perícias e apresentar um relatório complementar. As reportagens consultadas não informam decisão sobre essa prorrogação. O avanço, portanto, combina uma conclusão policial sobre parte das condutas com diligências que ainda precisam ser realizadas.23
Segundo a versão dos investigadores reproduzida pelo Metro1, Vorcaro e Costa integravam o núcleo de comando de um esquema destinado a inflar o patrimônio do Master e viabilizar sua compra pelo BRB, em tratativas entre 2024 e 2025. A PF atribui a Vorcaro o controle das decisões sobre as carteiras de crédito usadas na captação de recursos e a coordenação de participantes vinculados ao banco e a empresas associadas.2
Entre os crimes atribuídos a Vorcaro estão gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa, induzimento a erro e fraude em fiscalização, conforme a TMC. Essas imputações precisam ser distinguidas de uma condenação: o indiciamento registra a conclusão da polícia sobre os indícios reunidos. Não significa que o STF tenha julgado os envolvidos culpados, nem que todos os 15 respondam necessariamente pelo mesmo conjunto de condutas.13
A relevância econômica do caso está nas operações entre as instituições: o Metro1 informa que o BRB negociou R$ 16,7 bilhões com o Master e posteriormente identificou carteiras fraudulentas e sem lastro. A compra do banco foi barrada pelo Banco Central. O relatório apresentado agora avança na atribuição de responsabilidades individuais, enquanto a investigação sobre essas transações permanece aberta.2