Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram que Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora de Flávio Biroliro (PL-RJ), negociou em 2023 recursos de emendas com Robson Calixto Fonseca, o Peixe. Posteriormente condenado por organização criminosa armada no processo sobre a morte de Marielle Franco, ele intermediava pedidos para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop.1

Uma das emendas destinou R$ 199 mil a um projeto de futebol da entidade. Segundo o Diario de Pernambuco, com base em reportagem do Estadão e em dados do Portal da Transparência, o pagamento ocorreu em 29 de novembro de 2023. A PF investiga o caminho do dinheiro e as circunstâncias da negociação; Flávio não foi alvo dos mandados da operação descrita pelo jornal.2

A Folha, em reportagem reproduzida por A Gazeta, informou ter acessado os diálogos. Neles, Calixto pede ajuda para o instituto, e a assessora o orienta a formalizar a solicitação. Em outra conversa, ela o convida para uma cerimônia e sugere que cobre pessoalmente do senador a liberação da verba, acompanhado de Chiquinho Brazão.1

A suspeita sobre a aplicação dos recursos inclui pagamentos a um escritório de advocacia dos próprios responsáveis pelo Ifop. O Diario relata que uma auditoria do Tribunal de Contas da União sobre essas despesas foi incorporada ao inquérito. Esse é o ponto financeiro sob apuração: a destinação parlamentar e a execução pela entidade são etapas distintas que os investigadores procuram reconstituir.2

A assessoria de Flávio afirma que os repasses respeitaram a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. Diz também que a entidade apresentou notas fiscais e devolveu valores não utilizados. As mensagens reveladas integram uma investigação sobre possíveis irregularidades; não equivalem a uma condenação do senador por desvio de recursos.1