A Polícia Federal encontrou uma minuta de contrato para fornecimento de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde enviada pela empresária Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe do Gabinete Pessoal da Presidência. O documento reforça a linha de investigação sobre a tentativa de abrir portas no governo para um negócio privado: trata-se de um registro concreto de que uma proposta comercial chegou a um auxiliar instalado no núcleo do Palácio do Planalto, e não apenas de relato posterior sobre reuniões ou contatos políticos.12

Luchsinger é investigada por possível tráfico de influência em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. Segundo a apuração policial descrita pelas reportagens, ela afirmava atuar em nome dele e pretendia receber 20% do lucro do empreendimento. Marcola também recebeu R$ 249 mil da empresária em 2024; ele sustenta que o valor foi um empréstimo pessoal, posteriormente quitado. A PF apura se os pagamentos e as tratativas comerciais tinham relação com o acesso de Luchsinger e seus parceiros a autoridades do Ministério da Saúde e da Presidência.12

A existência da minuta não comprova que o Ministério da Saúde tenha contratado o grupo, pago qualquer valor ou favorecido a proposta. Também não estabelece, por si só, participação de Lula no caso. O peso institucional da descoberta está em outro ponto: o documento aproxima uma negociação de interesse privado do gabinete responsável pelo contato pessoal do presidente e oferece à investigação um elemento verificável para confrontar mensagens, reuniões e movimentações financeiras. As responsabilidades individuais e a eventual existência de contrapartida ilícita ainda dependem da conclusão da PF e da avaliação posterior do Ministério Público e do Judiciário.12