A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, revelou uma dimensão maior do domínio do PCC sobre o transporte coletivo da capital paulista: as 12 empresas sob suspeita de controle da facção, das 22 que operam na cidade, concentram a totalidade das linhas do chamado subsistema local — o que atende bairros mais distantes do centro — e respondem por 41% dos passageiros transportados diariamente em toda a rede municipal de ônibus.13
Áudios anexados ao inquérito e divulgados nesta quinta mostram José Daniel Satilite, identificado como operador e laranja da facção, dizendo ao advogado investigado Cícero José dos Santos Filho que a substituição da empresa UPBus, cujo contrato foi suspenso após a Operação Fim da Linha de 2024, 'vai envolver' o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil). Na mesma conversa, Satilite cita Levi dos Santos Oliveira, então presidente da SPTrans, como interlocutor necessário para destravar a situação da concessão.24
Oliveira teve prisão temporária decretada e foi alvo de busca e apreensão dentro da operação, que expediu 16 mandados de prisão temporária e 18 de busca. Milton Leite, também procurado, não foi localizado até a manhã desta quinta e pediu 24 horas para se apresentar à polícia; em nota, nega qualquer vínculo com o PCC e atribui os encontros com o ex-presidente da SPTrans ao período em que atuou como prefeito interino na gestão Bruno Covas, quando tratou de temas ligados ao transporte público municipal.54
O novo recorte muda a escala do problema para a gestão municipal: não se trata mais de uma fração isolada do sistema, mas da rede que cobre quase metade da frota de ônibus da cidade e a totalidade das linhas de bairro mais dependentes do serviço público, com efeito direto sobre milhões de usuários diários e pressão crescente sobre o processo de renovação das concessões geridas pela SPTrans.13