A Prefeitura de Belo Horizonte realiza uma nova limpeza na bacia de contenção da Lagoa Seca, no Belvedere. O serviço é menos vistoso que uma obra viária, mas tem função pública direta: retirar vegetação, resíduos e sedimentos que reduzem o volume disponível para armazenar temporariamente a água das chuvas. Em uma área densamente ocupada e cercada por vias movimentadas, manter essa capacidade ajuda a amortecer o escoamento e a diminuir a pressão sobre galerias pluviais durante temporais.12

A Lagoa Seca faz parte do sistema municipal de drenagem e é tratada pela PBH como uma das 19 bacias de detenção da capital. No balanço dos preparativos para o período chuvoso de 2025–2026, o município informou que essas estruturas, juntas, podem armazenar cerca de 3 milhões de metros cúbicos de água. Até agosto de 2025, a manutenção havia retirado 56,9 mil metros cúbicos de sedimentos e roçado 271 mil metros quadrados nas bacias, com aplicação de R$ 9,1 milhões. Só na Lagoa Seca, a área roçada chegou a 76,5 mil metros quadrados naquele ciclo.23

A intervenção agora noticiada no Belvedere deve ser entendida como manutenção preventiva, não como solução isolada para os gargalos de drenagem da região. A própria prefeitura enquadra desassoreamento e roçada como medidas para conservar o funcionamento das bacias e evitar que a água seja simplesmente transferida, com maior velocidade, para pontos mais baixos da cidade. Para moradores do Belvedere e usuários dos acessos próximos à BR-356, o resultado relevante será a estrutura chegar ao próximo período chuvoso desobstruída e com sua capacidade de retenção preservada.123