A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (13) a Operação Arena, com 17 mandados de busca e apreensão na Paraíba, em São Paulo, Sergipe, no Rio de Janeiro e no Paraná contra um grupo empresarial de apostas esportivas e jogos on-line. O alvo mais conhecido é Nelson Wilians, dono de um dos maiores escritórios de advocacia do país, que teve a mansão vasculhada na capital paulista. A 4ª Vara Federal da Paraíba autorizou, além das buscas, quebras de sigilo bancário e telemático e o sequestro de bens e valores que pode chegar a R$ 1,1 bilhão. Conforme o grau de responsabilidade, os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.123

No centro da apuração está um grupo sediado em Campina Grande (PB) que opera as plataformas PixBet e PixStar, com empresas formalmente constituídas na Costa Rica e em Curaçao. Segundo a PF, os recursos arrecadados com as apostas eram enviados ao exterior por meio de empresas de compensação financeira e voltavam ao Brasil disfarçados de pagamentos por serviços fictícios, lastreados em notas fiscais falsas. A investigação estima movimentação superior a R$ 2 bilhões entre 2022 e 2025 e envolve, além da PF, o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas.24

A suspeita contra Wilians é a de que ele funcionava como operador financeiro da organização, usando sua estrutura empresarial para ocultar bens e valores obtidos pelo grupo. A defesa, por meio do advogado Santiago Schunck, sustenta que a relação do escritório com a PixBet é estritamente profissional, restrita à prestação de serviços de advocacia, e nega qualquer associação com as atividades empresariais dos clientes.14

É a segunda batida da PF na casa do advogado em pouco mais de um mês: em julho, a Operação Distrato o incluiu entre os investigados por um esquema de venda de créditos fraudulentos de ICMS estimado em R$ 3,8 bilhões, que teria alcançado 752 empresas. Wilians também é citado na apuração dos descontos ilegais aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS.34

Para além do nome vistoso no mandado, a operação ataca o elo mais frágil da regulação das apostas: o caminho do dinheiro para fora do país. O circuito de offshores em paraísos fiscais e notas frias descrito pela PF é justamente o que a fiscalização financeira do setor, legalizado há pouco tempo, ainda não conseguiu fechar — e o teto de R$ 1,1 bilhão fixado para o sequestro de bens dá a medida do volume que a investigação acredita ter escapado pelo ralo.23