A ampliação do Trevo do Belvedere exigirá a supressão de 204 árvores, segundo informação da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) publicada pelo Jornal Belvedere na segunda-feira (27). Parte da retirada ocorrerá no entorno da Lagoa Seca para abrir espaço a uma nova faixa de tráfego. Como compensação, a Prefeitura de Belo Horizonte afirma ter iniciado o plantio de 3 mil árvores, com espécies nativas como ipês, dedaleiro e sibipiruna. A escala da intervenção torna o manejo ambiental parte central da obra, e não um detalhe paisagístico.12

O número agora informado pela Sudecap é muito superior ao que constava na comunicação oficial de julho de 2025. Na ocasião, a PBH dizia que seriam suprimidas 44 árvores, que a compensação formal previa 866 exemplares e que a administração pretendia elevar o plantio a 3 mil. Em março de 2026, a prefeitura voltou a registrar o início de plantios compensatórios antes das supressões, mas não divulgou naquela página a nova quantidade de árvores a retirar. A diferença de 44 para 204 pede transparência sobre quais áreas e espécies foram incorporadas ao corte, além da publicação das autorizações ambientais correspondentes.123

A obra pretende ampliar de cinco para seis as faixas sobre o viaduto, criar uma faixa adicional no sentido Nova Lima–Belo Horizonte entre o trevo e a Praça Marcelo Góes Menicucci e adequar acessos à Avenida Raja Gabaglia. O efeito esperado é aumentar a capacidade de um dos principais gargalos entre o Vetor Sul e BH, mas a entrega foi adiada para o segundo semestre de 2028 após a interrupção do contrato anterior. Para quem atravessa diariamente o Trevo do Belvedere, o balanço relevante será duplo: se a intervenção realmente reduzir retenções e se as 3 mil mudas sobreviverem e recompuserem, com o tempo, a cobertura vegetal perdida.12