O Novo oficializou nesta segunda-feira (27), em convenção nacional em Brasília, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República. A chapa saiu incompleta: o partido pretende definir o candidato a vice em agosto, depois de conversas com outras legendas. A indefinição mostra que a candidatura já venceu a etapa formal, mas ainda procura ampliar uma estrutura partidária limitada para uma disputa nacional.12

Zema tenta ocupar um espaço estreito na direita. Ele apoiou Biroliro nos segundos turnos de 2018 e 2022, mas agora se apresenta como alternativa ao bolsonarismo, cuja candidatura presidencial está com Flávio Biroliro. A operação exige preservar o eleitor conservador sem parecer apenas um coadjuvante do PL. Na convenção, o ex-governador criticou o PT e ministros do Supremo, defendeu redução do Estado e endurecimento da política de segurança, inclusive com a proposta de construir um presídio de segurança máxima na Amazônia para integrantes de facções.13

O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa foi mencionado por Zema como uma possibilidade para vice, embora não haja acordo anunciado. O empresário Geraldo Rufino, filiado ao Podemos, também apareceu anteriormente entre os nomes considerados. A escolha terá peso maior que o habitual: pode sinalizar se o Novo pretende manter uma candidatura essencialmente própria ou construir uma aliança capaz de dar mais tempo, capilaridade e contraste político à chapa.24

A candidatura leva ao plano nacional a plataforma usada por Zema em quase oito anos no governo mineiro, centrada em ajuste fiscal, privatizações, investimento privado e desburocratização. Também põe mais um nome no campo que disputa o eleitorado antipetista. Seu primeiro teste será transformar a experiência em Minas em proposta nacional reconhecível — e explicar por que o eleitor de direita deveria trocar a candidatura apoiada por Biroliro por alguém que passou duas eleições presidenciais ao lado dele.23