Nova Lima e Belo Horizonte integram o grupo de seis municípios brasileiros escolhidos pelo Ministério das Cidades, em parceria com a Fiocruz, para a fase prática do projeto DUI-RRD Cidades, voltado à redução de riscos de desastres geo-hidrológicos, como enchentes, inundações e deslizamentos. A ideia é que as cidades funcionem como laboratórios para testar, em territórios reais, um manual técnico de planejamento urbano que depois deve orientar a política nacional. Completam a lista Nova Friburgo, Paraíba do Sul e Petrópolis, no Rio de Janeiro, e Simões Filho, na Bahia. O funil começou em 2025 com 21 candidatos, dos quais 12 chegaram à etapa de propostas.12
Em Nova Lima, a proposta mira os distritos de Honório Bicalho e Santa Rita, na região Nordeste, área marcada pela presença de barragens e pelas cheias do Rio das Velhas. A coordenação local fica com as secretarias de Proteção e Defesa Civil e de Habitação, e a meta declarada é requalificar moradias em pontos vulneráveis, tratando o planejamento urbano como prevenção de longo prazo. Belo Horizonte entra com o conceito de cidade-esponja: jardins de chuva, pátios escolares naturalizados e campos de futebol convertidos em bacias de detenção, articulados a um programa de pagamento por serviços ambientais sob a Coordenadoria de Mudanças Climáticas.12
O cronograma prevê fase de testes entre março e outubro de 2026 e entrega da versão final do manual em dezembro. Técnicos da Fiocruz e do ministério estiveram em Nova Lima nos dias 29 e 30 de abril, com reunião no Centro de Educação Ambiental da AngloGold Ashanti e visita de campo a Honório Bicalho, onde as inundações são recorrentes. O eixo metodológico são as chamadas soluções baseadas na natureza, que buscam substituir parte da infraestrutura convencional de contenção por reflorestamento de encostas e dispositivos que aumentam a infiltração da água no solo.34
Convém calibrar a expectativa. Até aqui o projeto é método e mentoria: não há anúncio de recursos federais para obras nem contrato assinado, e o produto imediato é um plano testado, não uma intervenção física em Honório Bicalho. O ganho concreto para Nova Lima é ter um diagnóstico e um desenho de ações validados por um órgão nacional, o que costuma pesar na disputa por financiamento. Para quem vive no eixo Vila da Serra–Belvedere, o efeito é indireto, já que a área-piloto fica do outro lado do município; o que se observa é a prefeitura organizando sua Defesa Civil em torno de um protocolo que, se vingar, pode ser replicado em outras bacias da cidade.23