Nova Lima e Belo Horizonte estão entre os seis municípios brasileiros que funcionam como territórios-piloto do DUI-RRD Cidades, projeto de Desenvolvimento Urbano Integrado com enfoque na Redução de Riscos de Desastres Geo-hidrológicos, coordenado pelo Ministério das Cidades em parceria com a Fiocruz. Completam a lista Petrópolis, Nova Friburgo e Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, e Simões Filho, na Bahia. As ações de campo começaram em março de 2026, e uma oficina presencial marcada para maio serviu para ajustar o manual metodológico que o projeto pretende consolidar como referência nacional.12
A seleção veio de uma chamada pública que atraiu 50 municípios em 2025. Foram 21 pré-selecionados e 12 escolhidos — em Minas, além de BH e Nova Lima, Contagem entrou na lista. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, pesaram critérios como infraestrutura disponível, capacidade técnica, diagnóstico de áreas de risco e propostas de resiliência urbana. Desse grupo, seis territórios avançaram para a fase de testes práticos iniciada em 2026, cujo produto final é um manual de intervenções urbanas contra cheias, enxurradas, inundações e deslizamentos.32
Nas cidades mineiras, a aposta é substituir a chamada infraestrutura cinza por Soluções Baseadas na Natureza: jardins de chuva, pátios naturalizados e reflorestamento de encostas no lugar de contenções convencionais de concreto, com o objetivo de ampliar a infiltração da água no solo e reduzir enxurradas e deslizamentos. Em Nova Lima, o trabalho se concentra nos distritos de Honório Bicalho e Santa Rita, com atenção a áreas próximas de barragens e à requalificação de moradias em zonas vulneráveis.21
O projeto se soma a uma agenda preventiva que o município vinha montando: em janeiro, Nova Lima formalizou adesão ao Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), que prevê mapear riscos geo-hidrológicos, priorizar áreas de intervenção e organizar um portfólio de obras, monitoramento e educação preventiva. A iniciativa envolve a Secretaria Nacional das Periferias, o escritório da ONU para serviços de projetos (UNOPS) e a UFMG, e cita o DUI-RRD como peça do mesmo esforço.4
Para o leitor do eixo Vale do Sereno–Belvedere, os distritos contemplados ficam do outro lado do município, mas o que está em jogo é capacidade institucional: defesa civil, mapeamento de risco e critérios de obra valem para a cidade inteira, num município marcado por barragens de mineração e encostas ocupadas. O teste real virá na próxima estação chuvosa — quando se saberá se jardim de chuva e encosta reflorestada seguram o que o concreto não segurou.12