Nova Lima e Belo Horizonte foram escolhidas pelo governo federal para funcionar como laboratórios urbanos de prevenção a desastres. As duas cidades integram o grupo de seis municípios da fase-piloto do projeto DUI-RRD Cidades — Desenvolvimento Urbano Integrado com enfoque na Redução de Riscos de Desastres Geo-hidrológicos —, conduzido pelo Ministério das Cidades em parceria com a Fiocruz. Completam a lista Nova Friburgo, Paraíba do Sul e Petrópolis, no Rio de Janeiro, e Simões Filho, na Bahia.123

Em Nova Lima, o trabalho se concentra nos distritos de Honório Bicalho e Santa Rita, na região Nordeste do município, área que convive com barragens e riscos geo-hidrológicos. O plano combina requalificação de moradias em zonas vulneráveis, investimento em tecnologia e o uso do planejamento urbano como instrumento preventivo diante de eventos climáticos extremos. As secretarias municipais de Proteção e Defesa Civil e de Habitação respondem pela execução local.12

Belo Horizonte entra com a agenda de 'cidade esponja': jardins de chuva, pátios escolares naturalizados, campos públicos convertidos em bacias de detenção de água e um mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais. A aposta metodológica do projeto é substituir — ou complementar — a infraestrutura cinza tradicional por Soluções Baseadas na Natureza, caso do reflorestamento de encostas no lugar das contenções convencionais.23

O funil que chegou a esse desenho começou em 2025, quando 21 municípios se candidataram e 12 foram selecionados para a etapa de oficinas — Contagem estava entre eles, mas ficou fora da fase prática. O anúncio das seis cidades-laboratório saiu em fevereiro, com cronograma prevendo início das ações em março e oficina presencial em maio para adaptar o manual federal à realidade de cada território. Para o secretário nacional de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Carlos Tomé, iniciativas do tipo transformam o planejamento urbano em ferramenta concreta de preparação das cidades. Na prática, é uma mudança de ênfase relevante para a região metropolitana: em vez de reagir a cada temporada de chuvas com obras emergenciais, os dois municípios passam a testar, com mentoria federal, prevenção desenhada antes do desastre.134