As dez cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes e as maiores taxas de mortes violentas intencionais em 2025 ficam no Nordeste. Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza, lidera o ranking do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), com 100,3 mortes por 100 mil moradores. O índice é mais de cinco vezes a média nacional, de 19,1. A categoria reúne homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e óbito decorrente de intervenção policial.12
O Ceará também aparece com Maracanaú, na terceira posição, com taxa de 80,7, e Caucaia, na sétima, com 66,6. A Bahia concentra metade do grupo: Eunápolis ocupa o segundo lugar, com 85,1, acompanhada por Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro. Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, e Santa Rita, na Paraíba, completam a lista. O retrato municipal expõe uma concentração territorial aguda, que pode desaparecer quando a violência é observada apenas por médias estaduais ou nacionais.12
A letalidade policial acrescenta outra camada ao quadro. Porto Seguro registra a maior taxa nacional de mortes em intervenções policiais, 32,3 por 100 mil habitantes, seguida por Eunápolis, com 29,7. Seis das dez cidades com os maiores índices desse tipo estão na Bahia. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública atribui a persistência de taxas elevadas, sobretudo no Ceará e na Bahia, à disputa de facções por territórios e mercados criminosos. O ranking não mede uma vaga sensação de perigo: compara registros oficiais de mortes intencionais, ponderados pela população dos municípios. Ainda assim, diferenças na qualidade dos dados locais recomendam cautela ao transformar posições específicas em diagnóstico permanente.12