A Nasa divulgou uma visualização que mostra a Terra como ela é do ponto de vista da gravidade: um geoide irregular construído a partir de mais de 1 bilhão de observações coletadas por 19 satélites ao longo de 15 anos. A animação, publicada pelo Scientific Visualization Studio da agência em 15 de julho, ganhou destaque na imprensa brasileira neste domingo (26).13

O geoide é a superfície que os oceanos assumiriam se respondessem apenas ao campo gravitacional do planeta, sem marés, ventos ou correntes. Como a distribuição de massa da Terra é irregular, essa superfície ondula: vai de um pico de 85 metros acima da referência na região da Islândia a uma depressão de 106 metros no sul da Índia. Na visualização, as ondulações aparecem exageradas 10 mil vezes — daí o aspecto de batata amassada que costuma surpreender à primeira vista.1

Os números vêm do GOCO06s, modelo global de campo gravitacional calculado exclusivamente com dados de satélite e publicado em 2021 por uma equipe liderada pela Universidade Tecnológica de Graz, na Áustria. Ele combina as medições das missões GRACE, da Nasa (2002 a 2016), e GOCE, da agência espacial europeia, com o rastreamento a laser de 10 satélites, como o LAGEOS, e as órbitas de outros 9 satélites baixos, entre eles o CHAMP e a constelação Swarm — um ajuste que estimou mais de 211 mil parâmetros.21

Mapear o geoide com precisão tem uso prático: é ele que define o nível do mar adotado como referência de altitude nos sistemas de geodesia, e suas variações alimentam estudos de circulação oceânica, tectônica e mudança do nível dos oceanos. Vale a ressalva de precisão: o modelo em si não é novo — a novidade de julho é a tradução visual dos dados, creditada pela Nasa ao visualizador Mark SubbaRao com consultoria científica do geodesista Scott Luthcke, ambos do Goddard Space Flight Center.12