O piloto que morreu na queda do monomotor sobre o pátio de manutenção do metrô, atrás da estação São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte, foi identificado como Daniel de Souza da Silva Salomão, de 31 anos. Baiano, ele atuava como piloto comercial e instrutor de voo e era o único ocupante da aeronave, um EMB-711ST Corisco de prefixo PT-VHE, fabricado pela Neiva em 1988. O avião decolou do Aeroporto da Pampulha na manhã de sexta (9), voou poucos minutos e atingiu a lateral de um galpão e uma estrutura de cabos de energia antes de parar sobre uma linha secundária do pátio, onde pegou fogo. Os veículos de imprensa divergem sobre a cidade natal do piloto no interior da Bahia.12

A aeronave pertence à Bello Fruit, empresa de fruticultura com atuação na região de Mucuri, no sul da Bahia, que a comprou em setembro de 2020. Em nota, a companhia lamentou a morte, disse que vai colaborar com as autoridades e afirmou que não comentará as possíveis causas até o fim das investigações. Segundo a Anac, o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade do PT-VHE havia sido renovado na própria sexta, com validade até outubro de 2027. O plano de voo previa pouso em Juatuba, na Grande BH, e retorno em seguida à Pampulha.21

A Metrô BH confirmou que o prédio atingido é uma oficina de manutenção de veículos ferroviários e que a circulação de passageiros na Linha 1 não foi interrompida, dúvida que ficou em aberto nas primeiras horas após o acidente. Cerca de 400 trabalhadores foram retirados do pátio, de acordo com o Sindimetro-MG, e nenhum se feriu. Os bombeiros afirmam que um veículo ferroviário que estava em manutenção dentro do galpão absorveu parte do impacto e protegeu os funcionários. Dez viaturas da corporação atuaram no combate ao fogo, alimentado pelo combustível que restava nos tanques.231

O Cenipa, órgão da Aeronáutica responsável por acidentes aéreos, foi acionado por volta do meio-dia e assumiu a investigação das causas; a análise inicial dos destroços cabe ao Terceiro Serviço Regional, sediado no Rio de Janeiro. A Polícia Civil de Minas Gerais abriu apuração paralela. Testemunhas e bombeiros relataram que o avião voava baixo, com estouros seguidos de rastro de fumaça, mas não há confirmação de que o piloto tenha declarado emergência à torre ou tentado um pouso forçado.21

A renovação do certificado no mesmo dia do voo indica que o avião acabara de sair de manutenção, hipótese que parentes do piloto mencionaram à imprensa e que o Cenipa ainda não confirmou. O relatório preliminar costuma levar semanas, e as conclusões finais, meses. Enquanto isso, a empresa evita falar de causas, e o ponto mais relevante para quem usa o metrô já está esclarecido: o acidente atingiu apenas a área de oficina, e a operação da Linha 1 seguiu normal.23