As minas Velha e Grande, exploradas na região central de Nova Lima desde 1834 e desativadas pela AngloGold Ashanti em 2003, têm destino definido: um bairro de 260 mil metros quadrados batizado de Nova Vila. A Câmara Municipal aprovou em 5 de maio de 2026 o Projeto de Lei 2.640/2025, que autoriza a Operação Urbana Consorciada — instrumento pelo qual o poder público executa transformações urbanas em parceria com a iniciativa privada. No caso, a mineradora, a construtora Concreto e a prefeitura.23
O plano prevê uma avenida de pistas duplas com 2 quilômetros ligando a rodoviária à Praça do Mineiro, que será revitalizada, além de ciclovia e pista de caminhada. O miolo do bairro combina 44 casas e 320 apartamentos com mercado distrital, centro esportivo, centro corporativo, vila industrial e um corredor cultural de 18,1 mil m², incluindo museu dedicado à história da mineração e o reaproveitamento de 19,6 mil m² de estruturas históricas. Cerca de 25% da área ficará reservada à preservação ambiental, com corredores ecológicos em trechos de Mata Atlântica.1234
O financiamento é integralmente privado, mas o empreendimento já passou por várias camadas públicas: o plano de fechamento das minas foi aprovado pela Feam, pela ANM e pelo Iphan, e o desenho urbano incorporou audiências públicas e a escuta de mais de 1,5 mil moradores. Com a aprovação legislativa, a próxima etapa é o licenciamento ambiental municipal. A projeção dos parceiros é de cerca de 950 empregos temporários durante as obras e mais de 260 postos permanentes nos três primeiros anos de operação.234
A volta do assunto à capa da imprensa local nesta semana vem de material institucional dos parceiros — não há, até aqui, data anunciada para o início das obras, e é nesse cronograma que a promessa será testada. Ainda assim, o que existe vai além de render de projeto: lei municipal aprovada, órgãos estadual e federais que validaram o fechamento das minas e licenciamento em andamento. Para o centro de Nova Lima, trata-se da maior reconfiguração urbana em décadas, com efeito direto sobre mobilidade e uso do solo — razão para acompanhar as contrapartidas da operação consorciada tão de perto quanto o marketing dela.13