O ministro André Mendonça, do STF, autorizou nesta quinta-feira (30) a abertura de inquérito da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. A corporação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde; o pedido foi protocolado na sexta anterior (24) e distribuído ao gabinete do ministro na quarta (29).12

As suspeitas nasceram na Operação Sem Desconto, que investiga os descontos fraudulentos em aposentadorias do INSS. Os investigadores identificaram pagamentos do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso desde setembro de 2025, à RL Consultoria, da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A World Cannabis, empresa ligada ao lobista, está no centro da apuração, que também menciona uma viagem do filho do presidente a Portugal, em 2024, com despesas bancadas pelo Careca. Em janeiro deste ano, Mendonça já havia autorizado quebras de sigilo no caso.12

O material da PF cita possível atuação de Lulinha para intermediar interesses privados junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência — formulação que encosta a apuração no Palácio do Planalto, ainda que o alvo formal do inquérito seja apenas o filho do presidente.1

As defesas negam irregularidade. Os advogados de Lulinha afirmam que ele não participou de negociações, não investiu trabalho ou dinheiro no ramo e não recebeu convite para se associar à World Cannabis; Luchsinger sustenta que prestou consultoria legítima sobre canabidiol e que apresentou o lobista ao filho do presidente em contexto puramente social.12

Lula reagiu no mesmo dia: disse que o filho não vai se esconder caso venha a ser julgado, que caberá a ele demonstrar a própria inocência e que a Presidência não será usada como escudo. É a reprise da promessa feita em dezembro, quando o presidente afirmou que qualquer filho seu envolvido no esquema do INSS seria investigado com seriedade. A dez semanas do primeiro turno, o caso entrega à oposição um flanco que o Planalto vinha tentando desarmar — agora sob relatoria de um ministro que não pertence ao círculo de indicados do atual governo.342