A três meses da eleição, o balanço das promessas de Luiz Inácio Lula da Silva expõe um governo com entregas estruturais na área tributária e pendências relevantes em outros capítulos do programa de 2022. Entre os compromissos concretizados estão a reforma dos impostos sobre o consumo e a ampliação da isenção do Imposto de Renda. Ficou pelo caminho, porém, a proposta de recriar uma pasta federal exclusiva para a Segurança Pública — área que ganhou peso no debate político sem produzir a mudança administrativa prometida.1

A nova regra do IR, sancionada em novembro de 2025 e vigente desde janeiro de 2026, zerou o imposto para rendimentos mensais de até R$ 5 mil e criou desconto gradual até R$ 7.350. A estimativa oficial é de 15 milhões de beneficiários: aproximadamente 10 milhões deixaram de pagar e outros 5 milhões passaram a recolher menos. Para compensar a renúncia, a lei estabeleceu tributação mínima progressiva sobre rendas anuais superiores a R$ 600 mil, chegando a 10% acima de R$ 1,2 milhão.12

A reforma do consumo também saiu do papel, embora ainda esteja em transição. O modelo substitui cinco tributos por CBS e IBS, além do Imposto Seletivo. Em 2026, as alíquotas experimentais são de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, compensadas com PIS e Cofins. A extinção de PIS e Cofins está prevista para 2027; ICMS e ISS só desaparecem ao fim da transição, em 2033. Portanto, aprovação e implementação não significam simplificação imediata para empresas e consumidores.13

O retrato é menos útil como placar de campanha do que como medida de capacidade política. Lula conseguiu aprovar mudanças tributárias que dependiam do Congresso, inclusive a isenção do IR por votação unânime, mas não converteu toda a agenda anunciada em políticas concluídas. Na reta final do mandato, a distinção decisiva é entre promessa formalmente entregue, medida ainda em implantação e compromisso abandonado ou sem prazo — categorias que a disputa eleitoral tende a embaralhar.123