A Justiça de Minas Gerais converteu nesta quinta-feira (23) em prisão preventiva o flagrante de André Junior Silva de Carvalho, de 24 anos, que confessou ter matado Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 35, no apartamento dela, no bairro Camargos, em Belo Horizonte. Ele responde por feminicídio e ocultação de cadáver. Na decisão, o juiz Diego Gómez Lourenço apontou grau elevado de frieza e periculosidade no caso e defendeu uma resposta firme do Judiciário para interromper a escalada da violência praticada contra mulheres.13

Segundo a Polícia Civil, os dois se conheceram no início de julho por um aplicativo de relacionamentos. Stifanie, que enfrentava um quadro de depressão agravado pela morte recente da mãe, permitiu que ele ficasse no imóvel enquanto procurava emprego e moradia na capital. O relacionamento já havia terminado quando, na noite de 16 de julho, durante uma discussão em que ela exigiu que ele deixasse o apartamento, André a matou por esganadura, ainda de acordo com a investigação.2

O corpo permaneceu quatro dias no quarto, coberto por edredons, com a porta trancada, as janelas fechadas e aromatizador de ambiente para disfarçar o odor. Nesse intervalo, o suspeito seguiu saindo do imóvel normalmente, inclusive para procurar trabalho. Amigos e vizinhos estranharam mensagens de texto com erros de grafia enviadas do celular de Stifanie — ela costumava responder por áudio —, e uma vizinha, ao ficar sem retorno depois de pedir um vídeo, acionou a polícia. O corpo foi encontrado em 20 de julho, em avançado estado de decomposição, e André foi preso no dia seguinte. Ele negou o crime de início e tentou sustentar uma versão de suicídio apoiada em documentos médicos da vítima, mas confessou ao ser confrontado com as contradições do próprio relato.12

Stifanie foi sepultada na manhã desta quinta-feira, às 9h, no Bosque da Esperança Cemitério e Crematório, no bairro Jaqueline, na Região Norte da capital. A leitura que o caso permite está na própria fundamentação da preventiva: ao falar em escalada da violência contra a mulher, o juiz descreve um padrão que Belo Horizonte conhece de perto — a violência letal de gênero cometida por parceiros ou ex-parceiros dentro de casa, longe de testemunhas e descoberta tarde demais.31