O Irã prometeu neste domingo (27) responder ao ataque ucraniano que atingiu um navio comercial iraniano no Mar Cáspio no sábado (26), matando um marinheiro e ferindo outros tripulantes. É o primeiro choque direto entre os dois países e aproxima perigosamente duas guerras que até aqui corriam separadas: a da Rússia contra a Ucrânia e a que opõe Teerã aos Estados Unidos e a Israel.123

Volodymyr Zelensky confirmou que Kiev executou ataques de longo alcance no Cáspio contra embarcações usadas no transporte de carga militar entre Irã e Rússia, além de um navio de guerra russo, e considerou expressivos os resultados da operação. Segundo o governo ucraniano, a Rússia compartilha dados de vigilância por satélite com o Irã desde julho. Uma das embarcações atingidas explodiu, de acordo com os relatos disponíveis.24

A reação em Teerã veio em camadas. O chanceler Abbas Araghchi classificou o ataque como violação flagrante da Carta da ONU, avisou que ele não ficará sem resposta e atribuiu a ação a um suposto interesse de Israel em arrastar a Europa para sua guerra. O porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baqaei, falou em consequências imprevisíveis, e Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, disse que a Ucrânia vai descobrir que o Irã não deixa agressões sem troco. O encarregado de negócios ucraniano em Teerã foi convocado para ouvir o protesto formal contra o que o governo chamou de ato hostil e criminoso.23

O Irã sustenta que jamais interveio no conflito entre Rússia e Ucrânia — ainda que, segundo Kiev, as embarcações atingidas estivessem sob sanções internacionais e servissem justamente ao transporte de material militar entre Teerã e Moscou. Já em confronto aberto com Estados Unidos e Israel, o Irã abrir uma frente contra a Ucrânia significaria fundir dois conflitos que a diplomacia tenta manter apartados. Os telefonemas de Araghchi à chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, e ao chanceler russo, Sergei Lavrov, indicam que a Europa já está sendo puxada para a equação.24