O IBGE divulgou nesta terça (11) o IPCA de julho: alta de 0,07%, menos da metade dos 0,16% registrados em junho e bem abaixo dos 0,26% de julho do ano passado. No ano, o índice acumula 3,44%; em 12 meses, a inflação recuou de 4,64% para 4,44%. A desaceleração já vinha anunciada pela prévia do mês, o IPCA-15, que subiu 0,06% no fim de julho quando o mercado projetava alta em torno de 0,20%.123
O freio veio da comida. O grupo de alimentação e bebidas caiu 0,67% no mês, com o tomate despencando 29,09%, a batata-inglesa recuando 19,59% e o café moído — vilão do orçamento doméstico nos últimos dois anos — cedendo 2,45%. Os combustíveis também ajudaram, com queda de 1,44% no mês.12
Na outra ponta, habitação subiu 0,99% e foi o grupo de maior impacto no índice (0,15 ponto percentual), empurrada pela energia elétrica residencial, que avançou 3,09% sob bandeira tarifária amarela e reajustes em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Nos transportes, as passagens aéreas dispararam 11,67% e praticamente anularam o alívio dos combustíveis: o grupo fechou em 0,05%. Entre as áreas pesquisadas, Rio Branco teve a maior alta (0,32%) e Belém registrou deflação de 0,45%.2
O número tem leitura direta para a política monetária. Com 4,44%, o acumulado em 12 meses volta a caber no intervalo de tolerância da meta contínua — centro de 3%, teto de 4,5% — depois de encerrar junho acima dele, em 4,64%. O resultado reforça o espaço para o ciclo de cortes que o Copom iniciou na semana passada, ao reduzir a Selic a 14% ao ano. A dúvida é se a trégua se sustenta: a conta de luz segue como principal fonte de pressão, e o próprio governo já aciona mais térmicas para poupar reservatórios antes do El Niño, o que tende a manter a tarifa alta nos próximos meses.123