Uma investigação conjunta de Brasil e Itália aponta que uma rede ligada à máfia italiana ’Ndrangheta manteve o envio de cocaína à Europa mesmo depois da prisão de dois de seus integrantes em 2019. Detalhes divulgados no domingo, 11 de outubro, identificam a influenciadora Paula Simões Assisi e o advogado Patrick Raasch Cardoso entre os suspeitos de dar continuidade às operações. Ambos foram presos em 17 de setembro, na Operação Eredità.12

A dimensão do caso está nas cargas e na estrutura investigada. A Polícia Federal relaciona o grupo a pelo menos 11 apreensões que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína. Segundo informações do Ministério Público Federal reproduzidas pelo Metrópoles, a organização chegou a manter cerca de 2,2 toneladas armazenadas no Brasil para exportação. Os números se referem à rede investigada e não a drogas encontradas pessoalmente com cada suspeito.2

O Porto de Paranaguá, no Paraná, aparece como rota de saída. Segundo os investigadores, a cocaína era escondida em contêineres de empresas sem participação no esquema. A apuração atribui a Paula uma negociação de aproximadamente 400 quilos destinados à Europa. Cardoso é suspeito de usar o contato reservado com os presos para transmitir orientações. A hipótese policial é que as detenções de Patrick Assisi, marido de Paula, e de Nicola Assisi, seu sogro, não interromperam os negócios.1

A operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além de ordens de sequestro de imóveis e bloqueio de contas, bens e aplicações financeiras. A PF informa que o trabalho contou com uma equipe conjunta de investigação de autoridades brasileiras e italianas, constituída entre 2020 e 2025 para mapear a associação criminosa transnacional.3

As acusações são contestadas. A defesa de Paula afirma que nenhuma droga foi apreendida com ela e nega que tenha assumido atividades criminosas. Os advogados de Cardoso sustentam que ele exerceu a profissão dentro dos limites legais e pediram a revogação da prisão preventiva. As prisões e os bloqueios são medidas concretas da investigação; não representam condenação dos suspeitos.12