O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou em vigor, do meio-dia deste sábado (26) até as 18h de quarta-feira (30), um aviso vermelho de onda de calor, o grau mais alto da escala do órgão. A área alcança trechos de oito estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O critério é objetivo: máximas pelo menos 5°C acima da média climatológica durante cinco dias consecutivos ou mais.13

Os picos ficam no Centro-Oeste. Cuiabá deve chegar a 41°C no domingo (27) e na segunda (28), e Campo Grande a 40°C na segunda. Na capital paulista, a previsão é de 32°C no domingo; Brasília deve beirar o mesmo patamar no início da semana. O aviso aponta risco elevado à saúde sobretudo para idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias.14

A explicação meteorológica combina dois fatores. Um sistema de baixa pressão no noroeste da Argentina se aprofunda para 995 hPa e, ao mesmo tempo, uma circulação anticiclônica em altos níveis forma um domo de calor que segura o ar quente sobre o Centro-Sul e impede a renovação da massa de ar. O alívio só vem com uma frente fria a partir de quarta (30).1

Em Minas, a faixa vermelha cobre o Sul e o Sudoeste do estado, com cidades como Passos, Poços de Caldas, Varginha, Lavras e Maria da Fé, além do Triângulo e do Alto Paranaíba. No Rio de Janeiro, a região metropolitana e a capital estão dentro da área de grande perigo, com a orientação de acionar a Defesa Civil pelo 199 em caso de necessidade.23

Belo Horizonte ficou fora do polígono vermelho, mas não escapa do calor. A Defesa Civil municipal prevê máxima de 33°C neste sábado, com umidade relativa caindo a 25% à tarde e mínima de 17,2°C, e 34°C no domingo, em ar ainda mais seco. Para a capital mineira, o problema imediato é menos o termômetro e mais a combinação de calor com umidade baixa.56

A leitura editorial: o dado que pesa não é a máxima pontual de uma cidade, e sim a persistência. Cinco dias seguidos bem acima da média, logo depois de um setembro de chuva recorde em parte do Sudeste, é o cenário em que serviços de saúde sentem a demanda subir e em que a recomendação de hidratação e sombra nas horas de pico deixa de ser conselho genérico. O Inmet avisa que a abrangência pode mudar e pede acompanhamento dos boletins oficiais.14