Incêndios florestais de proporções históricas obrigaram cerca de 280 mil pessoas a deixar suas casas na França e na Espanha, segundo balanço divulgado neste sábado (25). Na França, a situação mais grave é no entorno de Bordeaux: aproximadamente 197 mil pessoas foram retiradas, sendo cerca de 167 mil na Gironde e outras 31 mil no departamento vizinho de Landes — a maior evacuação do país desde a Segunda Guerra Mundial, segundo o Ministério do Interior francês. Na Espanha, cerca de 70 mil pessoas saíram de casa, com os focos concentrados na região de Madri e na província de Ávila.12

O fogo já consumiu perto de 98 mil hectares na França, um recorde histórico, além de cerca de 10 mil hectares na região de Madri e entre 13 mil e 15 mil hectares em Ávila. A Espanha contabiliza 14 mortos em incêndios neste mês e ao menos dez desaparecidos. Na península de Cap Ferret, balneário vizinho a Bordeaux, mais de 50 casas foram destruídas; o aeroporto da cidade chegou a fechar, e a etapa final do Tour de France foi encurtada para liberar efetivo de segurança.23

Os dois governos escalaram a resposta. A Espanha decretou emergência nacional, com o premiê Pedro Sánchez afirmando que a prioridade é preservar vidas, enquanto Emmanuel Macron acionou formalmente o mecanismo de proteção civil da União Europeia. O Exército francês foi mobilizado e uma centena de bombeiros de Paris foi deslocada para o sudoeste do país. Perto de Madri, moradores desalojados relatam o temor de que os focos se unam e provoquem um desastre de grandes proporções.21

O pano de fundo é climático: desde maio, a Europa encadeia ondas de calor e um longo período de estiagem que, segundo cientistas, foram agravados pelo aquecimento global e criaram condições ideais para a propagação do fogo. Os números de deslocados ainda oscilam — agências internacionais registraram de 267 mil a mais de 300 mil pessoas conforme novas ordens de retirada eram emitidas ao longo do sábado —, um sinal de que o balanço atual dificilmente será o definitivo.32