Quatro pessoas morreram e uma quinta foi baleada na perna durante o confronto que tomou a Muzema, na Zona Oeste do Rio, entre a noite de sábado (29) e a madrugada deste domingo (30). A única vítima identificada até agora é Josiane Dias de Assunção Maia; os outros três mortos são homens cuja identidade não foi divulgada. O ferido, um morador da região, foi levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.12

Enquanto o tiroteio corria, criminosos interceptaram 14 ônibus e os atravessaram nas vias como barricadas, em pontos espalhados entre Muzema, Curicica, Gardênia e Taquara. O sindicato Rio Ônibus confirmou os sequestros, que atingiram praticamente todas as linhas que circulam por Jacarepaguá. A operação só voltou ao normal na manhã deste domingo.23

Por trás da madrugada de guerra está a disputa pelo controle de Rio das Pedras, uma das áreas mais cobiçadas do mapa criminal carioca. Os confrontos se concentraram nas localidades do Regatas e do Sertão, perto da divisa entre Rio das Pedras e Muzema: a comunidade da Muzema é dominada pelo Comando Vermelho, o Sertão está com a milícia, e cada lado tenta avançar sobre o terreno do vizinho.1

Equipes do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) foram acionadas com apoio do 1º Comando de Policiamento de Área para desobstruir as vias e estabilizar o perímetro, que segue com policiamento reforçado. As mortes ficaram a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital, que trabalha para identificar os autores dos disparos — e ainda três das quatro vítimas.23

A leitura editorial: sequestrar frota de ônibus virou tática recorrente nas guerras territoriais do Rio, e a conta recai sempre sobre quem depende do transporte público. O que este episódio tem de novo é a escala — 14 veículos retirados de circulação de uma vez, travando um dos maiores polos de população da cidade —, sinal de que a disputa entre milícia e Comando Vermelho na Zona Oeste entrou em fase mais aguda.13